Será que aumentaram os cigarros ou foram as cervejas? Sempre fumo muito mais quando bebo. Confesso que é absurdamente irresistível me furtar a uma tragada quando a mesma me vem muito bem acompanhada.
O cigarro acompanha a cerveja que acompanha a musica e a conversa, que acompanham minhas idéias que logo acompanham meus versos, e acompanham mais tragos que seguem acompanhados de mais cigarros e versos... Deveria ser mais fácil largar o cigarro, deveria ser como jogar palavras num papel, sem ordem, sem nexo, sem medo ou abstinência.
Como cantou Zeca Baleiro: “ A solidão é meu cigarro”. Será? Na duvida, tragarei a minha solidão, tragarei tudo até o filtro, até que se torne bituca, apenas bituca e cinzas... que irão se perdendo no caminho.
Sempre fui dos extremos, sempre fui tudo ou nada, e acreditem dois anos sem fumar, parei assim do dia pra noite, não acredito em processos lentos, cortar pela metade, ou é ou não é. Mas hoje eu só vou diminuir mesmo, não jogarei meu maço fora, vou deixar aqui do lado do computador, mas juro que vou desviar o olhar e meus dedos também, o isqueiro nem esta mais no bolso.
E se por ventura algum cigarro sumir:
_Não fui eu, foi Razuc!
Me juraram que duendes urbanos fumam cigarros!
Luca Souza
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Loucos e Santos
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
(Oscar Wilde)
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
(Oscar Wilde)
sábado, 6 de setembro de 2008
Brincando de ser deus
As vezes brinco de ser deus...
Dou vida as suas cores, assassino as suas dores
Lhe dou rosas, versos e amores
Me torno virgem maria, a puta, rainha
Me torno rainha, a puta virgem maria
As vezes brinco de ser deus...
Dou vida a sua morte, te faço alguém
Nesse mundo onde ninguem é de ninguem
Te faço meu refém
As vezes brinco de ser deus...
Te faço mulher, te faço fada
Européia, bicha, mãe e mulata
Te arranco a realidade, a angustia e o pudor
Lhe trago asas pra voar pra onde for
As vezes brinco de ser deus...
Dos leçois faço castelo pra você reinar
Da dor lhe dou orgasmos pra te saciar
Do pecado, faço o vicio pra te embriagar
Da sua vida, faço um conto pra você cantar
As vezes brinco de ser deus...
E sendo deus vou me enganando
Me refazendo, te condenando...
(Luca Souza)
Dou vida as suas cores, assassino as suas dores
Lhe dou rosas, versos e amores
Me torno virgem maria, a puta, rainha
Me torno rainha, a puta virgem maria
As vezes brinco de ser deus...
Dou vida a sua morte, te faço alguém
Nesse mundo onde ninguem é de ninguem
Te faço meu refém
As vezes brinco de ser deus...
Te faço mulher, te faço fada
Européia, bicha, mãe e mulata
Te arranco a realidade, a angustia e o pudor
Lhe trago asas pra voar pra onde for
As vezes brinco de ser deus...
Dos leçois faço castelo pra você reinar
Da dor lhe dou orgasmos pra te saciar
Do pecado, faço o vicio pra te embriagar
Da sua vida, faço um conto pra você cantar
As vezes brinco de ser deus...
E sendo deus vou me enganando
Me refazendo, te condenando...
(Luca Souza)
domingo, 24 de agosto de 2008
Flores com benflogin
_ Me acompanha no chá das cinco?
_ Não obrigada. Chá me cheia a sofisticação, a madames reunidas discutindo coisas fúteis. Eu prefiro café. É mais popular e é servido em qualquer lugar.
Mas hoje eu vou de flores mesmo. Flores e benflogin, sem questionar a política ou é politicagem? Hoje eu não vou questionar... Quero gritar outra coisa qualquer!
Quero flores pra compor o meu jardim
Na minha estante na galadeira e no sofá
Quero flores das mais caras as roubadas
Num guardanapo desenhada e amassada
As vermelhas... Que tanto me excitam
As vermelhas... Lembram um amor perdido
E maldito, cheio de flores e com cheiro de mijo
Quero flores aroma artificial, imitação barata de vida
No espelho quero flores refletidas
Rosas, Ortensias e Margaridas...
Quero flores estampadas em meu vestido
E afogadas em um balde, num canto vazio
Quero flores diversas, pousadas entre minhas pernas
E nas escadarias jogadas de um edificil
Quero flores tatuadas em minhas costas
Mastigadas em seu corpo nu
Quero flores decadentes e tortas
Quero flores almejadas e exóticas
Quero flores viciadas e patéticas
Quero flores com benflogin.
(Luca Souza)
_ Não obrigada. Chá me cheia a sofisticação, a madames reunidas discutindo coisas fúteis. Eu prefiro café. É mais popular e é servido em qualquer lugar.
Mas hoje eu vou de flores mesmo. Flores e benflogin, sem questionar a política ou é politicagem? Hoje eu não vou questionar... Quero gritar outra coisa qualquer!
Quero flores pra compor o meu jardim
Na minha estante na galadeira e no sofá
Quero flores das mais caras as roubadas
Num guardanapo desenhada e amassada
As vermelhas... Que tanto me excitam
As vermelhas... Lembram um amor perdido
E maldito, cheio de flores e com cheiro de mijo
Quero flores aroma artificial, imitação barata de vida
No espelho quero flores refletidas
Rosas, Ortensias e Margaridas...
Quero flores estampadas em meu vestido
E afogadas em um balde, num canto vazio
Quero flores diversas, pousadas entre minhas pernas
E nas escadarias jogadas de um edificil
Quero flores tatuadas em minhas costas
Mastigadas em seu corpo nu
Quero flores decadentes e tortas
Quero flores almejadas e exóticas
Quero flores viciadas e patéticas
Quero flores com benflogin.
(Luca Souza)
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Quase um grito silêncioso
Olha a passarinhada aí
Onde?
Passou...
E passou mesmo! Tão rapido que quase ninguém viu. A repercussão na mídia foi fraca, a repercussão no transito foi forte. Conflitos ideológicos claramente estampados, protesto vazio, manifestação comportada. Covardes? Não...Não. Teimo em acreditar que não. As más línguas dizem que a CUT fez um acordo com o PT, e “pegar leve” por assim dizer. Sem maiores conflitos, sem bloqueios na Paulista, sem a grande mídia encima.
Será mesmo que esse acordo existiu? Ou será apenas que a mídia camuflou? Afinal, parece que todos estão mais interessados nas Olimpíadas e nas míseras medalhas de bronze que alguns brasileiros conquistaram lá fora, enquanto aqui dentro os lobos se preparam para mais um novo golpe.
Sinceramente... eu já não sei... o que sei é que aproximadamente 4 mil manifestantes mostraram suas caras hoje, que muitos alunos saíram ás ruas, outros tantos trabalhadores, mesclados a mais tantos sem teto.
Sei também que em toda história política do Brasil só houve mudanças significativas através da mobilização popular, foi assim e sempre será...
As eleições estão aí, vão trocar o Lula por um Tucano e nada vai mudar. Os impostos vão continuar crescendo, as crianças continuaram morrendo, a classe média vai ficar pobre e os pobres ainda mais pobres e quem sabe aí eu, você, e toda a nossa geração de bundões resolva levantar do sofá e sair da frente da TV e ir para rua gritar! Esse assunto da pano pra manga, tenho muitas palavras que ainda quero gritar, mas essas vão pra outro post ou para uma outra manifestação.
(Luca Souza)
As pessoas vão ver que estão sendo roubadas
Vai haver uma revolução ao contrario da de 64
O Brasil é medroso
Vamos pegar o dinheiro roubado da burguesia
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Vamos pra rua
(Cazuza)
Onde?
Passou...
E passou mesmo! Tão rapido que quase ninguém viu. A repercussão na mídia foi fraca, a repercussão no transito foi forte. Conflitos ideológicos claramente estampados, protesto vazio, manifestação comportada. Covardes? Não...Não. Teimo em acreditar que não. As más línguas dizem que a CUT fez um acordo com o PT, e “pegar leve” por assim dizer. Sem maiores conflitos, sem bloqueios na Paulista, sem a grande mídia encima.
Será mesmo que esse acordo existiu? Ou será apenas que a mídia camuflou? Afinal, parece que todos estão mais interessados nas Olimpíadas e nas míseras medalhas de bronze que alguns brasileiros conquistaram lá fora, enquanto aqui dentro os lobos se preparam para mais um novo golpe.
Sinceramente... eu já não sei... o que sei é que aproximadamente 4 mil manifestantes mostraram suas caras hoje, que muitos alunos saíram ás ruas, outros tantos trabalhadores, mesclados a mais tantos sem teto.
Sei também que em toda história política do Brasil só houve mudanças significativas através da mobilização popular, foi assim e sempre será...
As eleições estão aí, vão trocar o Lula por um Tucano e nada vai mudar. Os impostos vão continuar crescendo, as crianças continuaram morrendo, a classe média vai ficar pobre e os pobres ainda mais pobres e quem sabe aí eu, você, e toda a nossa geração de bundões resolva levantar do sofá e sair da frente da TV e ir para rua gritar! Esse assunto da pano pra manga, tenho muitas palavras que ainda quero gritar, mas essas vão pra outro post ou para uma outra manifestação.
(Luca Souza)
As pessoas vão ver que estão sendo roubadas
Vai haver uma revolução ao contrario da de 64
O Brasil é medroso
Vamos pegar o dinheiro roubado da burguesia
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Vamos pra rua
(Cazuza)
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
SELO, SELIN, SELÓN
Recebi esse SELO do blog Diálogo a Sós . Gostaria de agradecer a Julia pela gentileza, realmente foi uma surpresa, estou feliz pelo carinho, e repasso para outros três blogs, como manda a "regra", confesso que gostaria de envia-lo a tantos outros, mas se é assim... que assim seja. E o SELO vai para:
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Poemas, cigarros e blues
Rafael Lima
dos crimes, bordados e vaidades.
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Poemas, cigarros e blues
Rafael Lima
dos crimes, bordados e vaidades.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Bossa - O que vale é estar vivo.
E tudo termina em prosa
No bar rock n roll e bossa nova
Eis aqui um vivo, largado no mundo
Procurando aonde ir
A esquina cai no enquadro
Toma a noite num assalto
E o mal esconde a cara
Mas aponta a direção
Incompleto, incostante
Eu me levo a diante
Variável, incontrolável
eu vou na contra-mao
vou correndo entre os carros
No incerto, favorável, indigesto, imutável
Que as vezes ate sorri
Mas quando tudo termina em prosa
Mais um drink e bossa nova
Eis aqui um vivo, nem tão feio nem bonito
E apesar das translações, das drogas e equivocos
Da mente conturbada e do cancer coletivo
Incompleto, incostante
Eu me levo a diante
Variável, incontrolável
eu vou na contra-mao
vou correndo entre os carros
Num incerto, favorável, sou indigesto, sou imutável
Que as vezes ate sorri.
O que vale é estar vivo...
(Luca Souza)
No bar rock n roll e bossa nova
Eis aqui um vivo, largado no mundo
Procurando aonde ir
A esquina cai no enquadro
Toma a noite num assalto
E o mal esconde a cara
Mas aponta a direção
Incompleto, incostante
Eu me levo a diante
Variável, incontrolável
eu vou na contra-mao
vou correndo entre os carros
No incerto, favorável, indigesto, imutável
Que as vezes ate sorri
Mas quando tudo termina em prosa
Mais um drink e bossa nova
Eis aqui um vivo, nem tão feio nem bonito
E apesar das translações, das drogas e equivocos
Da mente conturbada e do cancer coletivo
Incompleto, incostante
Eu me levo a diante
Variável, incontrolável
eu vou na contra-mao
vou correndo entre os carros
Num incerto, favorável, sou indigesto, sou imutável
Que as vezes ate sorri.
O que vale é estar vivo...
(Luca Souza)
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