quinta-feira, 31 de julho de 2008

Federico





Ele fechou os olhos
E quase pode ver a cor de seu sangue
Que não era vermelho
Respirou o ar que já não era gelado
E engoliu a vida
Sem saber se era vida ou se era morte
Ele abriu os olhos
E quase pode ver sua cabeça rolar.



(Luca Souza)

sábado, 26 de julho de 2008

É BLUES...

Blues é o que gritamos quando sentimos dor.


É baixa freqüência
É repetições expressivas
É escala maior,
É cânticos em gritos
É fé religiosa
É raiz africana
É o negro é o branco
É o sopro é o urro.


"Blues nada mais é do que um bom homem se sentindo mal" o autor não importa, a dor sim, pois todos nós temos dores insúportaveis ou não que um dia doem mais forte e o tempo não faz apagar, o tempo não pode curar, o tempo... o tempo... é... é dessa cicatriz que nasce o blues. Dor que vira sopro, dor que vira urro, dor que vira blues.


Quantas horas vão passar nesse segundo
E quantos sonhos vão passar da validade
Quantas portas vão se abrir sem ninguem passar
Quantos cigarros e quantos tragos
Quantas crianças vão morrer
E quantas vezes vou chorar até o dia acabar.












Quantas vezes vou amar?


Luca Souza

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Pelas ruas...



Foi assim... Um pé no chão e outro no chinelo
Um cobertor enrolado ao corpo
Não pediu nenhum trocado...
Apenas se levantou sóbrio e calado
E foi sentar em outro lugar.


(Luca Souza)




sexta-feira, 18 de julho de 2008

Pão e Circo

Circo e Pão
Futebol, Carnaval e Televisão



Ó entorpecido povo
Guardais seus descontentamentos
Para que insatisfação?
De mãos abertas eu lhes ofereço
Aqui estais:
Eis o circo. Eis o pão

Bolsa escola e cheque cidadão!

"Evidentemente muito mais circo do que pão"



Pincelada na História


A política pão e circo nasceu no Império Romano como forma de administrar a população num momento de crise onde tudo era escasso, com a real intensão de acalmar os ânimos políticos do povo, distraí-los, aliena-los, evitando assim uma revolução contra o Império.
Essa política oferecia o mínimo necessario para a sobreviência (veja bem, "sobreviver" não é viver), era feita uma distribuição gratuita de alimentos (pão) e uma campanha de apresentações, espetáculos (circo), como forma de entretenimento.


Barriga cheia e diversão
Gera esquecimento
Mesmo que momentaneo


E assim era alcançado o objetivo do Império, população distraida e alimentada não pensavam em rebelar-se e exigir melhores condições de vida.
Para manter a população sobre controle tanto "carnaval" foi feito, que o calendário romano chegou a ter 175 feriados por ano.

Nada melhor do que "ocupar" a população enquanto decisões importantes são tomadas não é?


O Ministério Publico adverte: Qualquer semelhança com a política atual é mera coincidência!!



quarta-feira, 16 de julho de 2008

Saudosa Maloca

Hoje ouvi a música Saudosa Maloca de Adoniram Barbosa na voz da grande Elis Regina, música essa que me faz chorar por dentro toda vez que a ouço, e saudosamente ganha meu primeiro post, pois não posso deixar de comentar aqui mesmo que brevemente, essa música que possuí um significado socio-cultural que é extremamente politico, é uma saudosa crítica, por assim dizer, dos primórdios da industrialização paulista, com sua pobreza, com seus malandros e a indignidade de um "progresso" que não contempla o excluído.

A música popular brasileira é um dos mais poderosos manifestos e instrumentos pelo qual se revela o registro da vida cotidiana, na visão de autores que observam o momento atual em que vivem.
A música é história, a música faz história e a revela, transforma conceitos, pois é um tipo de registro que nos trás evidencias de um passado e que refletem os anseios da nossa sociedade atual.



SAUDOSA MALOCA
Composição:Adoniran Barbosa

Si u sinhô num tá lembradu
dá licença di contá,
que aqui onde agora está
esse adifício arto
era uma casa véia,
um palacête assobradado.
Foi aqui seu moçu
que Eu, Mato Grosso e o Joca
construimus nossa maloca.
mais um dia nóis
nem podi si alembrá
veio os homes com as ferramentas,
o dono mandô derruba.
Peguemo todas nossas coisas
e fumus pro meio da rua apreciá a demolição.
Qui tristeza qui nóis sentia
cada táuba que caía duía no coração.
Mato grosso quis gritá
mas em cima eu falei:
Os homes está coa razão
Nois arranjá outro lugá.
Só se conformemos quando o Jocá falou:
Deus dá o frio conforme o cobertô
E hoje nois pega a páia
nas gramas du jardim
E pra isquecê nois cantemos assim:
Saudosa Maloca
Maloca quirida
Dim dim dondi nós passemos
Dias filiz de nossa vida.

Saudosa Maloca
Maloca querida
Dim dim donde nós passemos
Dias filiz da nossa vida.
________________________________

" Até a década de 60, São Paulo ainda existia, depois procurei mas não achei São Paulo. O Brás, cadê o Brás? E o Bexiga, cadê? Mandaram-me procurar a Sé. Não achei. Só vejo carros e cimento armado"

(Adoniran Barbosa)


Saudosa maloca brasileira

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Faço minha suas palavras...

“Escrevo neste instante com algum prévio pudor por vos estar invadindo com tal narrativa tão exterior e explícita. De onde no entanto até sangue arfante de tão vivo de vida poderá quem sabe escorrer e logo se coagular em cubos de geléia trêmula. Será essa história um dia o meu coágulo? Que sei eu. Se há veracidade nela – e é claro que a história é verdadeira embora inventada – , que cada um a reconheça em si mesmo porque todos nós somos um e quem não tem pobreza de dinheiro tem pobreza de espírito ou saudade por lhe faltar coisa mais preciosa que ouro – existe a quem falte o delicado essencial.”


Clarice Lispector