Ele fechou os olhos E quase pode ver a cor de seu sangue Que não era vermelho Respirou o ar que já não era gelado E engoliu a vida Sem saber se era vida ou se era morte Ele abriu os olhos E quase pode ver sua cabeça rolar.
É baixa freqüência É repetições expressivas É escala maior, É cânticos em gritos É fé religiosa É raiz africana É o negro é o branco É o sopro é o urro.
"Blues nada mais é do que um bom homem se sentindo mal" o autor não importa, a dor sim, pois todos nós temos dores insúportaveis ou não que um dia doem mais forte e o tempo não faz apagar, o tempo não pode curar, o tempo... o tempo... é... é dessa cicatriz que nasce o blues. Dor que vira sopro, dor que vira urro, dor que vira blues.
Quantas horas vão passar nesse segundo E quantos sonhos vão passar da validade Quantas portas vão se abrir sem ninguem passar Quantos cigarros e quantos tragos Quantas crianças vão morrer E quantas vezes vou chorar até o dia acabar.
Foi assim... Um pé no chão e outro no chinelo Um cobertor enrolado ao corpo Não pediu nenhum trocado... Apenas se levantou sóbrio e calado E foi sentar em outro lugar.
Ó entorpecido povo Guardais seus descontentamentos Para que insatisfação? De mãos abertas eu lhes ofereço Aqui estais: Eis o circo. Eis o pão
Bolsa escola e cheque cidadão!
"Evidentemente muito mais circo do que pão"
Pincelada na História
A política pão e circo nasceu no Império Romano como forma de administrar a população num momento de crise onde tudo era escasso, com a real intensão de acalmar os ânimos políticos do povo, distraí-los, aliena-los, evitando assim uma revolução contra o Império. Essa política oferecia o mínimo necessario para a sobreviência (veja bem, "sobreviver" não é viver), era feita uma distribuição gratuita de alimentos (pão) e uma campanha de apresentações, espetáculos (circo), como forma de entretenimento.
Barriga cheia e diversão Gera esquecimento Mesmo que momentaneo
E assim era alcançado o objetivo do Império, população distraida e alimentada não pensavam em rebelar-se e exigir melhores condições de vida. Para manter a população sobre controle tanto "carnaval" foi feito, que o calendário romano chegou a ter 175 feriados por ano.
Nada melhor do que "ocupar" a população enquanto decisões importantes são tomadas não é?
O Ministério Publico adverte: Qualquer semelhança com a política atual é mera coincidência!!
Hoje ouvi a música Saudosa Maloca de Adoniram Barbosa na voz da grande Elis Regina, música essa que me faz chorar por dentro toda vez que a ouço, e saudosamente ganha meu primeiro post, pois não posso deixar de comentar aqui mesmo que brevemente, essa música que possuí um significado socio-cultural que é extremamente politico, é uma saudosa crítica, por assim dizer, dos primórdios da industrialização paulista, com sua pobreza, com seus malandros e a indignidade de um "progresso" que não contempla o excluído.
A música popular brasileira é um dos mais poderosos manifestos e instrumentos pelo qual se revela o registro da vida cotidiana, na visão de autores que observam o momento atual em que vivem. A música é história, a música faz história e a revela, transforma conceitos, pois é um tipo de registro que nos trás evidencias de um passado e que refletem os anseios da nossa sociedade atual.
SAUDOSA MALOCA Composição:Adoniran Barbosa
Si u sinhô num tá lembradu dá licença di contá, que aqui onde agora está esse adifício arto era uma casa véia, um palacête assobradado. Foi aqui seu moçu que Eu, Mato Grosso e o Joca construimus nossa maloca. mais um dia nóis nem podi si alembrá veio os homes com as ferramentas, o dono mandô derruba. Peguemo todas nossas coisas e fumus pro meio da rua apreciá a demolição. Qui tristeza qui nóis sentia cada táuba que caía duía no coração. Mato grosso quis gritá mas em cima eu falei: Os homes está coa razão Nois arranjá outro lugá. Só se conformemos quando o Jocá falou: Deus dá o frio conforme o cobertô E hoje nois pega a páia nas gramas du jardim E pra isquecê nois cantemos assim: Saudosa Maloca Maloca quirida Dim dim dondi nós passemos Dias filiz de nossa vida.
Saudosa Maloca Maloca querida Dim dim donde nós passemos Dias filiz da nossa vida. ________________________________
" Até a década de 60, São Paulo ainda existia, depois procurei mas não achei São Paulo. O Brás, cadê o Brás? E o Bexiga, cadê? Mandaram-me procurar a Sé. Não achei. Só vejo carros e cimento armado"
“Escrevo neste instante com algum prévio pudor por vos estar invadindo com tal narrativa tão exterior e explícita. De onde no entanto até sangue arfante de tão vivo de vida poderá quem sabe escorrer e logo se coagular em cubos de geléia trêmula. Será essa história um dia o meu coágulo? Que sei eu. Se há veracidade nela – e é claro que a história é verdadeira embora inventada – , que cada um a reconheça em si mesmo porque todos nós somos um e quem não tem pobreza de dinheiro tem pobreza de espírito ou saudade por lhe faltar coisa mais preciosa que ouro – existe a quem falte o delicado essencial.”